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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Acordes dissonantes

Duvido muito que um dia conseguirei olhar para o mundo e ver o que você vê: brilho, cores, encanto; serei sempre um cético, um desconfiado, alguém que percebe o vazio contínuo que nos espreita. Eu sei que os meus questionamentos me deixaram de mãos vazias, com o coração seco, como um ser olhando para a vacuidade de todas as coisas… Às vezes, confesso, quero ser o que sou, ser aquilo que serei, ser algo belo e sublime, ser simplesmente e, depois, não ser mais nada. Talvez a incoerência e a inconstância sejam, de fato, os meus principais atributos, porque ainda procuro um sentido em meio a uma total falta de sentido, porque vislumbro, na cacofonia da vida, uma augusta sinfonia.



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