Pular para o conteúdo principal

Postagem em destaque

Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Desejo

Eu desejo unicamente o desejo,
o ato puro e simples de desejar,
de sonhar, de ousar.
Desejo o que todo mundo deseja,
aquilo que não sei bem dizer,
e que você esteja aqui comigo.

Eu quero arder ao sol do equador,
sentir o amor nos trópicos,
descansar em zonas temperadas.
Quero mergulhar no seu corpo
e emergir em mim,
pulsar ao ritmo da canção,
viver em um mar de anseios,
caos e intensas sensações.

E desejo sempre continuar desejando;
não quero sossego,
não quero a satisfação tediosa daqueles que nada querem,
quero apenas queimar todo o meu ser,
lentamente,
sem pressa,
até que eu me desfaça por inteiro.




Comentários

Compartilhe:

Sugestões para você

Carregando…