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O Pomo de Ouro

Páris devia dar o seu palpite, e acabar com a contenda celestial: “Seria Hera, Atena ou Afrodite, qual teria uma beleza sem igual?” Cada deusa fez a Páris uma oferta: Hera lhe daria império e glória; Atena, a mais alta sabedoria; Afrodite, o amor da mais bela mortal. Aos encantos do poder, Páris resistiu, como também aos do conhecimento, mas o amor era um convite especial. Afrodite ganhou o pomo dourado. Por Helena, Páris foi muito amado. Porém, eu não contarei aqui o final.

Acertando o passo

Eu não tenho a quem culpar; a responsabilidade é única e exclusivamente minha. Fiz o que fiz guiado por um desejo cego, mas não posso negar que me deixei levar, que sabia muito bem o que estava fazendo. Magoei muitas pessoas, de outras tantas me afastei, e a quem mais feri com meu modo imprudente foi a mim mesmo. Tento hoje ser uma pessoa melhor, tento não repetir mais os mesmos erros; não é uma tarefa fácil. Acho que me tornei, com o tempo, uma imagem caricata, um reflexo pálido daquilo que já fui outrora; a máscara que um dia vesti para me sentir mais confortável e seguro colou-se ao rosto, de maneira a se transformar também em rosto, no novo rosto que passei a ter diante de todos. Depois de tanto tempo, nem sei mais qual é a minha verdadeira face! Por certo, ela será aquela que construirei passo a passo, a partir dos dias que terei à frente. Ah, que sejam suficientes estes dias vindouros!



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