Teimosia
Resisti por resistir, por vontade de viver um pouco mais e apenas isso. Não houve epifania, entrega, súplica ou qualquer tipo de consolo. Silêncio e medo, como companheiras, e a teimosia, claudicante, única.
Palavra por palavra,
tijolo por tijolo,
dia após dia,
vou construindo uma obra,
que não é prima,
longe disso,
mas é minha.
Não quero alcançar os píncaros da glória
ou a imortalidade,
pois reconheço minhas limitações
e também sei que,
por mais que nos esforcemos,
a ação do tempo
reduzirá tudo a grãos de areia.
Encontrei na poesia a minha voz,
fiz do tempo, das tristezas e do cotidiano
a minha argila,
e com ela
moldei um vaso torto,
onde depositei minhas paixões e alegrias.
Enfim, fiz o que me era possível fazer,
com mais engenho do que arte,
com suor, devaneios e lágrimas,
revisitando memórias,
tateando sentimentos
e reinventando,
a todo momento,
não só a minha escrita,
mas também a minha vida.
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