Pular para o conteúdo principal

Postagem em destaque

Constatação

Eis-me aqui de novo, com meus versos de botequim, com minha arte chinfrim, fazendo uma rima assim: ruim. Não sou boêmio. Sou abstêmio. Talvez, se eu bebesse um pouco, ou muito, conseguiria viver sem Poesia. Não sei, só sei que sempre fui assim: perdido e ensimesmado. Canto porque canto, e bota desafinação nisso! Ué, todos já foram embora? Por que estão apagando a luz? Meu nome não é José, nem Raimundo, e não carrego em minhas mãos o sentimento do mundo. Sou o que fiz de mim mesmo, e isso não é humildade, muito menos autoelogio, ou depreciação.

Construção

Palavra por palavra,

tijolo por tijolo,

dia após dia,

vou construindo uma obra,

que não é prima,

longe disso,

mas é minha.


Não quero alcançar os píncaros da glória

ou a imortalidade,

pois reconheço minhas limitações 

e também sei que,

por mais que nos esforcemos,

a ação do tempo

reduzirá tudo a grãos de areia.


Encontrei na poesia a minha voz,

fiz do tempo, das tristezas e do cotidiano

a minha argila,

e com ela

moldei um vaso torto,

onde depositei minhas paixões e alegrias.


Enfim, fiz o que me era possível fazer,

com mais engenho do que arte,

com suor, devaneios e lágrimas,

revisitando memórias,

tateando sentimentos

e reinventando,

a todo momento,

não só a minha escrita,

mas também a minha vida.





Comentários

Compartilhe:

Sugestões para você

Carregando sugestões...