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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Construção

Palavra por palavra,

tijolo por tijolo,

dia após dia,

vou construindo uma obra,

que não é prima,

longe disso,

mas é minha.


Não quero alcançar os píncaros da glória

ou a imortalidade,

pois reconheço minhas limitações 

e também sei que,

por mais que nos esforcemos,

a ação do tempo

reduzirá tudo a grãos de areia.


Encontrei na poesia a minha voz,

fiz do tempo, das tristezas e do cotidiano

a minha argila,

e com ela

moldei um vaso torto,

onde depositei minhas paixões e alegrias.


Enfim, fiz o que me era possível fazer,

com mais engenho do que arte,

com suor, devaneios e lágrimas,

revisitando memórias,

tateando sentimentos

e reinventando,

a todo momento,

não só a minha escrita,

mas também a minha vida.





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