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Constatação

Eis-me aqui de novo, com meus versos de botequim, com minha arte chinfrim, fazendo uma rima assim: ruim. Não sou boêmio. Sou abstêmio. Talvez, se eu bebesse um pouco, ou muito, conseguiria viver sem Poesia. Não sei, só sei que sempre fui assim: perdido e ensimesmado. Canto porque canto, e bota desafinação nisso! Ué, todos já foram embora? Por que estão apagando a luz? Meu nome não é José, nem Raimundo, e não carrego em minhas mãos o sentimento do mundo. Sou o que fiz de mim mesmo, e isso não é humildade, muito menos autoelogio, ou depreciação.

Metamorfose

Espero não ter me tornado uma estranha criatura;

às vezes nem mesmo eu me reconheço.

Faz tanto tempo que nós não nos vemos

que nem sei mais quem éramos.


Andamos por caminhos tão distantes,

tivemos tantos contratempos

e sofremos, cada um a seu modo,

tanto e por tanto tempo.


Não sei se o ígneo sentimento

que um dia nos aproximou

poderá ainda, em algum momento,

fazer-se presente outra vez.


Mas, neste instante,

ao mirar seus olhos,

tão parecidos com os meus,

procuro uma resposta

ou talvez uma fagulha.


Perco as palavras,

me atrapalho,

mas logo me recupero.


A conversa se estende, emaranhada,

e o futuro permanece, como sempre, incerto.





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