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Constatação

Eis-me aqui de novo, com meus versos de botequim, com minha arte chinfrim, fazendo uma rima assim: ruim. Não sou boêmio. Sou abstêmio. Talvez, se eu bebesse um pouco, ou muito, conseguiria viver sem Poesia. Não sei, só sei que sempre fui assim: perdido e ensimesmado. Canto porque canto, e bota desafinação nisso! Ué, todos já foram embora? Por que estão apagando a luz? Meu nome não é José, nem Raimundo, e não carrego em minhas mãos o sentimento do mundo. Sou o que fiz de mim mesmo, e isso não é humildade, muito menos autoelogio, ou depreciação.

Primaveril 🌸

Voo sobre as palavras e me enrosco em suas asas.
Faço da vida uma prosa poética.
Preocupo-me mais com a musicalidade do que com a forma.

Varandas e quintais
Interjeições e ais
Verbos que amais

Tento expressar o silêncio e a saudade,
traduzir em palavras o amor e a dor,
dizer o indizível de forma visceral.

Poemas e devaneios
Olhares e meneios
A vida… sem freios

Mas nem tudo consigo expressar:
falta sempre algo indefinido,
que fica suspenso no ar.

Uma inefável canção,
talvez sim, talvez não…
Início da nova estação.




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