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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

À Florbela Espanca

Nas noites brancas,
nas cinzas das horas,
nas brumas do tempo,
espero...
Espero por quem partiu sem ter vindo,
por quem amou sem ser amado,
por quem muito se doou e nada recebeu.
Espero, mas sem esperança;
vivo na eterna lembrança
de tudo aquilo que foi sem ter sido;
melhor esquecer,
esquecer e ser esquecido.


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