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Ver demais

Veredas tropicais: palmeiras, samambaias, musgo delicado, esmeraldas e muita selva e seiva entre nós. Ver-te todo dia, ver-te nunca mais. Verdades escondidas, vertentes do querer. Veraneio, praia e sol. Um verdejar tardio: agitação sobre a copa das árvores, chuva intempestiva e o verde dos teus olhos ainda em mim.

A nossa vã filosofia

Racionalmente, desvendamos o mundo. Buscamos repostas para tudo. Criamos padrões, leis e teorias. No entanto, não possuímos a noção exata do número de coisas que desconhecemos, não sabemos, portanto, qual é ao certo o tamanho da nossa ignorância. É claro que o “não saber” deve ser sempre um estímulo para o “saber mais”. Porém, não podemos aspirar ao pleno conhecimento. É uma ilusão muito atraente acreditar na infalibilidade racional do homem. A nossa pretensão intelectual será sempre frustrada por dois simples fatos: primeiro, a vida é curta; segundo, a nossa capacidade cognitiva é limitada. Em cada infinito existe muitos outros infinitos. Toda resposta leva inevitavelmente a uma nova pergunta.

“Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou. Assim, tudo é regido pela dialética, a tensão e o revezamento dos opostos. Portanto, o real é sempre fruto da mudança, ou seja, do combate entre os contrários.” (Heráclito)



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