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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

A nossa vã filosofia

Racionalmente, desvendamos o mundo: buscamos respostas para tudo, criamos padrões, leis e teorias. No entanto, não possuímos a noção exata do número de coisas que desconhecemos; não sabemos, portanto, o tamanho da nossa ignorância. É claro que o “não saber” deve ser sempre um estímulo para o “saber mais”. Porém, não podemos aspirar ao pleno conhecimento. É uma ilusão muito atraente acreditar na infalibilidade racional do homem. A nossa pretensão intelectual será sempre frustrada por dois simples fatos: primeiro, a vida é curta; segundo, a nossa capacidade cognitiva é limitada. Para cada infinito, existem muitos outros. Toda resposta leva inevitavelmente a uma nova pergunta.


“Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou. Assim, tudo é regido pela dialética, a tensão e o revezamento dos opostos. Portanto, o real é sempre fruto da mudança, ou seja, do combate entre os contrários.” (Heráclito)


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