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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Estranhos na escuridão

Estranhos, eis o que somos uns para os outros.
Tateando no escuro, procuramos algum apoio;
não há nada à nossa frente.
As horas se sucedem...
Nas entrelinhas, nos recônditos refúgios,
não encontramos nenhum mistério grandioso.
O frio, o silêncio, o cansaço, a solidão,
tudo nos aponta para uma mesma direção.


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