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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Luísa no século XXI

Tinha tomado o seu cafezinho (a internet estava lenta naquele dia),

tinha lido suas mensagens sem muito interesse.

Não era a primeira vez que lhe escreviam aquelas bobagens,

e o seu tédio aumentava a cada novo vídeo motivacional,

a cada novo e-mail recebido, nova postagem ou curtida;

sentia um decréscimo de estima por si mesma,

e parecia-lhe que entrava numa existência muito desinteressante,

onde cada hora nada tinha de importante,

cada novo clique levava a uma apatia,

e a alma se cobria de um vazio de sensações.




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