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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Brilho eterno de uma mente sem lembranças

É sempre a mesma história:
esquecer para prosseguir,
prosseguir e aprender;
atravessar a rua do tempo,
deixando sempre algo do outro lado,
sem jamais olhar para trás.

Cenas de um passado, de uma vida,
cenas felizes, cenas tristes, cenas que se apagam.
Basicamente, um filme sem cortes, sem retorno.
Suspiros perdidos, vozes esquecidas, lágrimas e suor…
Alegrias, esperanças, amizades, pessoas e lugares…

Acordar a cada dia tendo a certeza de que algo se perdeu;
tentar deliberadamente não sucumbir;
construir novas pontes, novas conexões,
e, sobretudo, um novo caminho.



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