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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Transfiguração

Quando arruinamos tudo,
quando nos sentimos derrotados,
quando o pesar é muito grande,
quando não conseguimos pensar em outra coisa,
quando nos desprezamos e nos sentimos horríveis,
quando o desespero bate à porta,
quando deixamos de mentir para nós mesmos,
quando nos encaramos no espelho,
quando tiramos todas as máscaras,
quando não há mais nada a perder,
é que a vida se renova.


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