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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Aparência e Essência

Sob o signo da melancolia,
escrevo este triste poema:
um poema sobre o nada,
um poema no vazio,
um poema sobre a vida,
com versos que nada dizem,
sem rimas e sem propósito.
Enfim, escrevo algo insípido,
frívolo, descartável e póstumo,
como tudo o que existe de mais verdadeiro neste mundo.


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