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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Caixa de Pandora

Ruas desertas,
casas destruídas,
lixo, entulho e desolação.
Cães esfomeados,
esperança perdida,
caos, morte e destruição.
O que fazer quando tudo foi consumido?
Como recomeçar?

Quando sorrir parece um sacrilégio,
quando o luto é maior que tudo,
quando o normal nos parece estranho,
nestes tristes momentos,
como não naufragar?

É preciso ouvir o som do silêncio,
a voz muda que, dentro de cada um de nós, grita:
Continua! Continua!



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