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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Ideologia, eu quero uma para viver!?

Abandonado ao sabor dos ventos,
o homem se encontra desolado.

Afundando no vazio subatômico que separa a matéria,
buscando ouvir a música advinda das esferas celestes,
ele tenha ordenar o caos e estabelecer a ordem.

A indiferença e a contingência são para ele inaceitáveis.
E, nessas condições, qualquer bote salva-vidas é muito bem-vindo.


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