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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Pensamentos

Ecos do passado, fragmentos ao luar,
lembranças de um tempo a se esfarelar.
Vida cumprida ao rigor da estação:
hoje, primavera; amanhã, outros dias virão.
Lágrimas derramadas, tempo perdido.
Sorriso refeito, um dia, um amor, um amigo.
Flores, odores, sabores, rancores,
tudo ao vivo e em cores.
Divagar, devagar, louco cantar.


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