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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Encontro

Tal qual um explorador ou aventureiro,

adentro com minha tocha flamejante,

pouco a pouco, nos escondidos mistérios

da gruta obscura e improvável do teu ser.


Entre estalactites já sedimentadas,

vou percorrendo as fendas várias

e as fontes de águas borbulhantes

do teu agreste e selvagem ventre.


A luz tênue e sinuosa que me acompanha

nesta minha viagem rumo ao desconhecido

vai lenta, mas prontamente se extinguindo,

deixando-me só no breu de tuas entranhas.


E, ao me ver assim, solitário e abandonado,

é que te encontro, como num sonho, fiel e casta,

envolvendo-me em teus braços docemente,

revelando-me, na ardência dos teus beijos, o amor.




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