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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Depoimento


Coloco-me a depor, ou melhor, decompor, se assim é possível, semelhante personalidade, a começar pelos olhos destinados a vibrar chispas de escárnio, juntamente com o sorriso afável, a tez alva e o rosto diáfano, tudo isso envolto em uma aura de lascividade e ternura indescritíveis. De fato, uma mulher encantadora e cativante, cujo gênio é, e para sempre será, indomável, pois não se pode subjugá-la; ela é a Senhora da situação e a Compositora de sua própria história.

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