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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

L'amour est un oiseau rebelle

Oh, Musetta, quando você se vai
docemente pela vida, sinto em mim
um novo alvorecer, como se a noite,
clara como o dia à sua passagem,
me revelasse algo inominável.
Algo que se esconde no brilho dos seus olhos,
na sua elegante silhueta,
no seu fulgor primaveril.
Algo, portanto, que não sei nem ouso dizer,
mas que permanece na minha memória,
no meu coração, como um etéreo perfume,
mesmo que eu fique vários dias sem lhe ver.

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