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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

A Semente do Amor

Só você, na vida, me importa;
vivo tão somente o agora,
no despertar da nova aurora,
que afugenta a noite morta.

A esperança enfim aflora,
pois o amor me bate à porta,
invade a casa e me exorta
com voz suave e mui sonora:

“– Sigamos juntos a mesma estrada,
cultivemos a semente de amor
que nos foi no coração plantada!”

E num alucinado esplendor,
com a alma toda enlevada,
não sinto mais fome, medo ou dor.


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