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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Netuno e o Náufrago

Oh, mar revolto, que tanto me agonia,
e me leva para longe do meu porto,
fazendo-me viver em desconforto,
por que me fazes sofrer noite e dia?

Sou apenas um náufrago da existência
nadando em pensamentos, absorto,
triste, alquebrado, mas não morto,
buscando a minha própria essência.

Por que não me auxilias, Rei do Mar?
Torna para mim os ventos favoráveis,
liberta-me do perigo de afundar!

Netuno: – É muito mais fácil singrar
por rotas conhecidas e memoráveis
do que sozinho um caminho encontrar.


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