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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Realidade

Imaginação real ou realidade imaginária?
O que se esconde por trás do véu das aparências?

Quando a verdade se transmutar em ilusão,
e a ilusão em realidade,
quando não conseguirdes distinguir
a fantasia autêntica da fantasia inventada,
quando o chão aos vossos pés se evaporar
e pisardes na estrada concreta dos sonhos,
reconhecereis a riqueza de vossa própria subjetividade:

Complexa, contraditória e, acima de tudo, limitada.


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