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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Eterno Retorno

Se o sol deixasse de brilhar...
Se o mar secasse...
Se o tempo parasse...
Se você nunca mais voltasse...
No entanto,
o sol alegremente nasce todos os dias,
o mar persiste em seu ritmo ondular,
o tempo permanece a devorar,
e você de novo ao meu lado aqui está.

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