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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Pecado

Culpa!? Por quê?
O que fiz está feito,
nada posso mudar;
o passado é um quebra-cabeças
que tento montar.
Porém, inconscientemente persiste
uma culpa hereditária,
um quê de contrição,
eis a nossa precária condição.



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