Pular para o conteúdo principal

Postagem em destaque

Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Persistência

Em vão os homens procuram
saciar a própria loucura
em prazeres fugazes e vícios,
na ânsia de alguma ventura.
— Chamam isso de felicidade
e, por ela, fazem a guerra;
cantam, gritam, se exasperam;
vagam desorientados pela Terra,
na esperança de encontrá-la.

A certa altura, a busca se revela inútil
e eles se sentem frustrados, iludidos;
porém persistem, continuam
— sabem, instintivamente,
que tal renúncia seria a própria extinção.



Comentários

Compartilhe:

Sugestões para você

Carregando…