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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

“A luz dos olhos teus”

Estou diante de ti
– um abismo se abre à minha frente –,
procuro palavras, mas não as encontro.
Diante dos teus olhos, do teu sorriso,
o tempo desacelera,
percebo então cada nuance, cada gesto,
e de repente não te vejo mais;
mergulho em mim mesmo,
faço de ti o ideal perfeito,
pintura renascentista,
estátua grega.
Estremeço diante dos teus olhos,
diante da obra-prima por mim criada;
tu continuas a me fitar, sorrindo,
e eu não enxergo é mais nada.



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