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Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do efêmero florescer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.
“A luz dos olhos teus”
Estou diante de ti
– um abismo se abre à minha frente –,
procuro palavras, mas não as encontro.
Diante dos teus olhos, do teu sorriso,
o tempo desacelera,
percebo então cada nuance, cada gesto,
e de repente não te vejo mais;
mergulho em mim mesmo,
faço de ti o ideal perfeito,
pintura renascentista,
estátua grega.
Estremeço diante dos teus olhos,
diante da obra-prima por mim criada;
tu continuas a me fitar, sorrindo,
e eu não enxergo é mais nada.
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