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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

Agradecimento

Você me fez enxergar aquilo que eu não conseguia mais ver, me mostrou todas as estrelas do céu;
você me fez rememorar coisas que já tinha esquecido, coisas que ficaram abandonadas em caixas empoeiradas nos porões do meu coração;
você veio para destruir as bases arcaicas de uma vida desprovida de sentimento;
você veio, perdoe-me a expressão, com a força de um furacão,
arrebentou cercas, derrubou muros,
e, por isso mesmo, muito me ensinou.

Aprendi a fazer poemas com as minhas dores, com os meus sofrimentos;
edifiquei castelos com as pedras do meu caminho;
consertei pontes, refiz aquedutos, pavimentei estradas rumo ao desconhecido eu.
Tudo isso, no fundo, uma homenagem a você, um hino à vida, um modo de seguir em frente, um jeitinho meu de fazer com que você se eternize.


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