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Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do efêmero florescer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.
Mutações
Não existe em mim um eu verdadeiro.
Há aqui uma multidão de vozes,
uma miríade de cores,
algo indefinido e mutante.
São os outros que definem a minha essência,
e cada um o faz à sua maneira,
sendo que nenhum acerta,
pois não há essência alcançável.
Há apenas o que sou neste exato momento,
e amanhã já não serei mais o mesmo.
A mudança não é rápida, isso eu sei,
mas é constante, certa e imprevisível.
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