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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

A um querido amigo

Gosto tanto de você que até me dói, me dói no coração não tê-lo conhecido antes, me dói saber que tudo isso é passageiro, que um dia não terei mais você aqui comigo. Saiba que há ternura e muito afeto por trás de toda essa sua melancolia. Quereria ser um arauto da felicidade para lhe abrir as portas de tudo o que você sonhou, mas nunca teve. No entanto, só posso mesmo lhe dar, neste momento, aquilo que me agita por dentro: o meu carinho, a minha atenção, a minha consideração, a minha amizade, o meu amor. É tudo fugidio, eu sei, mas é o que tenho. O tempo apagará todas as marcas, todos os vestígios; gerações futuras nunca saberão da nossa existência, da nossa amizade, muito menos terão conhecimento sobre quais eram as nossas verdadeiras preocupações. Não restará mais nada, e isso será tudo. Mesmo assim, lhe escrevo estas palavras com o frágil intuito de que algo permaneça, se não no porvir, ao menos agora em seu coração.


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