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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

Silêncio

Hoje eu acordei com a estranha sensação de que não te amo mais.
Levantei-me da cama, abri a janela, saí pela porta da frente e me deparei com um silêncio,
um silêncio tão grande, tão acolhedor, tão exasperante.
Qual foi mesmo o sentido disso tudo?
Fico sem respostas, não as tenho, decerto, nunca as terei.
Há um mergulho profundo no abismo da alma,
um não sei quê com o gosto amargo da solidão.
Começo a andar, depois correr, passadas largas;
quero me distanciar, fugir de mim mesmo.
Não há lágrimas visíveis, apenas um mar revolto que se esconde por dentro.
Fachadas, tormentas, naufrágios…
A rua em que estou continua a mesma rua que passo todos os dias,
com os mesmos cães, com as mesmas pessoas, com os mesmos bons-dias;
e eu, de certa forma, continuo também o mesmo,
apesar de, talvez, já ser outra pessoa.


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