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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

Fragmentado

O joelho ralado, merthiolate, um colo acolhedor
Me lembro cada vez mais do passado
E o futuro envolto em silêncio

Perguntas sem respostas
Mensagens não respondidas
Solidão, amor... desamor

Algo se perdeu:
Memórias fragmentárias
Ser disperso no tempo

Caminhos trilhados na desesperança
Amigos, sombras, resquícios
Lento emudecer


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