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Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do efêmero florescer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.
De cor
Conheço bem a tua decoração,
cada fita, vestido ou penduricalho.
Conheço de cor o teu sorriso,
o jeito como me olhas,
a forma como ajeitas as madeixas.
Conheço o teu jeito de me repreender,
de mostrar que estás zangada.
Mas, por mais que tente,
só arranho a superfície do que tu és:
esfinge amorosa, flor deleitosa,
bálsamo, tormenta e orvalho.
És arte e música barroca,
luz e sombra,
harmonia e contraponto,
som e fúria.
Bem, tu és o que não sei dizer,
o que não ouso descrever,
aquilo que está para além de minha compreensão.
Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto:
júbilo e lamento de amor.
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