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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do efêmero florescer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Nada nos dobra mais do que a ação do tempo

Tantos gritos em vão,
tanto orgulho por nada!
Construí em vida um castelo de cartas,
carreguei um fardo desnecessário,
ambicionei o que não tinha importância alguma,
angustiei-me em excesso com coisas banais...
Bem, fui o meu próprio algoz,
meu pior amigo.
Hoje, saúdo o vento,
fico grato por qualquer sorriso.
– Ah, como é bom vê-lo de novo,
sente aqui comigo!
Não nego mais as lágrimas,
e guardo com gratidão todo o amor que me é oferecido,
e quero apenas aquilo que me for possível.


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