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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

Escravo do desejo

Estou preso a uma coleira, a teus pés;
sou um escravo do meu desejo por ti.
A tua indiferença me consome
e, ao mesmo tempo, me atrai.
Vivo me afastando e voltando,
odiando e querendo.
Anseio pela liberdade,
mas sou cativo da tua atenção,
do teu carinho, do teu descaso.
Sou guiado por uma vontade cega;
não consigo não desejar o que desejo.
Minha submissão é covarde e ridícula;
se fosse mais forte, lutaria,
escalaria os montes da minha vontade,
limparia os meus pés na soleira da mansão do desencanto.
Ah, se tudo fosse diferente,
se eu pudesse não desejar mais nada…


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