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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Eu nunca me senti assim antes...

O céu parece que vai cair na minha cabeça;
há algo estranho no ar;
uma ansiedade aguda que não passa.
No meu jardim, nasceu uma erva daninha!
Tomo tanto cuidado com as minhas flores,
mas certas coisas simplesmente acontecem.
— E o que aconteceu, afinal?! — você, por certo, deve estar se perguntando agora.
Eu respondo: — A vida!


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