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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Tempo perdido

Já caiu o último grão de areia da ampulheta,
e a profecia não se realizou,
o lacre não foi rompido,
a palavra certa não foi dita,
tudo, em suma, ficou pelo caminho.

Não há mais como voltar atrás;
sem segundas chances,
sem nenhum botão de reiniciar.
Lágrimas e remorsos de nada adiantam.

Confesso: gastei toda a minha energia em futilidades!

Porém, para além do passado petrificado,
ainda tenho comigo o maleável e acessível
presente.

Em minhas mãos está a oportunidade de fazer,
a partir de hoje, a partir deste exato momento,
algo totalmente diferente.



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