Pular para o conteúdo principal

Postagem em destaque

Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Retrato de um amor que deixou boas lembranças

No relicário da memória,
vejo um camafeu,
um primeiro beijo,
um tempo áureo.

Ah, tudo se dissolveu tão rapidamente;
hoje, passado tanto tempo,
quase consigo refazer todos os passos,
reunir todos os elementos;
um perfume inebriante,
um olhar perdido, apaixonado,
promessas esquecidas
e segredos nunca revelados.

Lembranças que se renovam a cada dia!
Volto várias vezes ao mesmo ponto
e, depois de algumas horas,
coloco tudo de volta na caixinha.


Comentários

Compartilhe:

Sugestões para você

Carregando…