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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Minúcias

A delicadeza silenciosa dos teus olhos
A roupa jogada num canto
O livro deixado aberto na escrivaninha
Um perfume adocicado no ar
Um aroma antigo que desperta uma memória
Uma memória que me convida a ousar
O álbum de fotos sobre a mesa
O tempo reencontrado ao mergulhar a madeleine no chá
O relógio antigo na parede rajada pelo tempo
Flores perdidas que ainda procuram um lar
Vidas apegadas a detalhes mínimos
Minúcias que alteram todo o caminho




Nota: Referência à famosa cena da madeleine em Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust, em que o sabor do bolo mergulhado no chá desperta uma memória involuntária.

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