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Ígnea

Ígnea, era o seu nome. Nunca soube o porquê disso: não havia nela excesso, nem voz elevada, nem gestos. Cresceu no silêncio. Falava pouco, não por desdém, mas por cuidado. Diziam que era fria, quando, na verdade, era apenas alguém que se resguardava. Por fora, tudo era contido, ordenado, quase imóvel. Seu nome lhe parecia um erro, um equívoco sem graça, desses que ninguém mais corrige porque já passou tempo demais. Mas havia noites, raras, quase imperceptíveis, em que algo nela se movia. Um pensamento insistente, uma lembrança fugidia, um desejo sem forma. Nada que virasse incêndio. Apenas um brilho curto, íntimo, suficiente para lembrar que até a matéria mais quieta guarda, em segredo, o seu fogo.

Originada

Um poema novo

— mas como!? —

com palavras velhas e desgastadas.

Uma criação que não seja feita,

como tantas,

de substâncias reaproveitadas.

Um chão nunca antes pisado,

marcando o passo inaugural,

rumo a um mundo desconhecido.

Algo nunca proposto

ou enunciado.

Monumento em movimento,

incompreensível,

ao firmamento erguido.




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