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Pedestal

Forjada no olhar, do querer impaciente: estátua de mármore, fria, dura, gente. Moldada pra durar, pra caber no sonho, no desejo de alguém. Sem nome, sem lugar, apenas serva das vontades. Um riacho sereno, flores ao redor de tanta incompreensão, do férreo escrutínio alheio. E o tempo, imperioso, faz da matéria inerte corpo consciente, e da água contida, vida sem corrente. Não há mais represas ou moldes, altares, pedestais ou roteiros. Só o mover-se, contínuo, livre, sem medo.

Constatação

Eis-me aqui de novo,

com meus versos de botequim,

com minha arte chinfrim,

fazendo uma rima assim:

ruim.


Não sou boêmio.

Sou abstêmio.

Talvez, se eu bebesse um pouco,

ou muito,

conseguiria viver sem Poesia.

Não sei, só sei que sempre fui assim:

perdido e ensimesmado.


Canto porque canto,

e bota desafinação nisso!


Ué, todos já foram embora?

Por que estão apagando a luz?

Meu nome não é José,

nem Raimundo,

e não carrego em minhas mãos

o sentimento do mundo.


Sou o que fiz de mim mesmo,

e isso não é humildade,

muito menos autoelogio,

ou depreciação.





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