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Ver demais

Veredas tropicais: palmeiras, samambaias, musgo delicado, esmeraldas e muita selva e seiva entre nós. Ver-te todo dia, ver-te nunca mais. Verdades escondidas, vertentes do querer. Veraneio, praia e sol. Um verdejar tardio: agitação sobre a copa das árvores, chuva intempestiva e o verde dos teus olhos ainda em mim.

Constatação

Eis-me aqui de novo,

com meus versos de botequim,

com minha arte chinfrim,

fazendo uma rima assim:

ruim.


Não sou boêmio.

Sou abstêmio.

Talvez, se eu bebesse um pouco,

ou muito,

conseguiria viver sem Poesia.

Não sei, só sei que sempre fui assim:

perdido e ensimesmado.


Canto porque canto,

e bota desafinação nisso!


Ué, todos já foram embora?

Por que estão apagando a luz?

Meu nome não é José,

nem Raimundo,

e não carrego em minhas mãos

o sentimento do mundo.


Sou o que fiz de mim mesmo,

e isso não é humildade,

muito menos autoelogio,

ou depreciação.





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