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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Constatação

Eis-me aqui de novo,

com meus versos de botequim,

com minha arte chinfrim,

fazendo uma rima assim:

ruim.


Não sou boêmio.

Sou abstêmio.

Talvez, se eu bebesse um pouco,

ou muito,

conseguiria viver sem Poesia.

Não sei, só sei que sempre fui assim:

perdido e ensimesmado.


Canto porque canto,

e bota desafinação nisso!


Ué, todos já foram embora?

Por que estão apagando a luz?

Meu nome não é José,

nem Raimundo,

e não carrego em minhas mãos

o sentimento do mundo.


Sou o que fiz de mim mesmo,

e isso não é humildade,

muito menos autoelogio,

ou depreciação.





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