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Ígnea

Ígnea, era o seu nome. Nunca soube o porquê disso: não havia nela excesso, nem voz elevada, nem gestos. Cresceu no silêncio. Falava pouco, não por desdém, mas por cuidado. Diziam que era fria, quando, na verdade, era apenas alguém que se resguardava. Por fora, tudo era contido, ordenado, quase imóvel. Seu nome lhe parecia um erro, um equívoco sem graça, desses que ninguém mais corrige porque já passou tempo demais. Mas havia noites, raras, quase imperceptíveis, em que algo nela se movia. Um pensamento insistente, uma lembrança fugidia, um desejo sem forma. Nada que virasse incêndio. Apenas um brilho curto, íntimo, suficiente para lembrar que até a matéria mais quieta guarda, em segredo, o seu fogo.

Ah, Poetisa!

Ah, Poetisa,
que, com seus versos sinceros,
me arranha a pele
e a vida;
que, com seu olhar,
me desnuda,
me vira do avesso;
que, com seu toque delicado,
com suas carícias,
me faz recomeço.

Por que me faz viver assim:
tão perto de você
e tão longe de mim?

Ah, Poetisa,
cada travessia ao seu lado
é uma descoberta geológica;
cada dia, uma estação;
e cada verso ritmado,
cada gesto de ternura,
um rio caudaloso
que me atravessa
e me arrasta ao mar sem fim
que é você.




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