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Ígnea

Ígnea, era o seu nome. Nunca soube o porquê disso: não havia nela excesso, nem voz elevada, nem gestos. Cresceu no silêncio. Falava pouco, não por desdém, mas por cuidado. Diziam que era fria, quando, na verdade, era apenas alguém que se resguardava. Por fora, tudo era contido, ordenado, quase imóvel. Seu nome lhe parecia um erro, um equívoco sem graça, desses que ninguém mais corrige porque já passou tempo demais. Mas havia noites, raras, quase imperceptíveis, em que algo nela se movia. Um pensamento insistente, uma lembrança fugidia, um desejo sem forma. Nada que virasse incêndio. Apenas um brilho curto, íntimo, suficiente para lembrar que até a matéria mais quieta guarda, em segredo, o seu fogo.

Frivolidade pequeno-burguesa

Decadência

Burguesia

Evanescente

Dissolução

Impermanência

Voltar às coisas mesmas

Percepção

Absurdo

Solilóquios modernos

Meine Lippen

Bem-aventuranças de um desaventurado

Opacidade

Dançando no fogo

Círculo vicioso

Natureza

Graceful

Aforismos nada poéticos

“Ó sombra fútil chamada gente!”

Pensamentos dispersos

Limiar

Superação

Breve nota antes de dormir

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