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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Mulher

Ser de alguém
como uma coisa descartável
ou posse malcuidada
de um avaro autointitulado
dono

Ser de ninguém
ou daquele que der o maior lance
um produto do descaso
a passar de mão em mão
sem horizonte

Ser de si mesma
construindo o próprio caminho
tendo a liberdade de errar
doando-se apenas quando quiser

Ser... Mulher



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