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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Ousadia

Sonho que estou à beira de um abismo.
Sonho que você está ao meu lado.
Juntos, sem medo, damos mais um passo;
flutuamos entre nuvens,
rumo a uma lua incandescente,
cheia de auspiciosos segredos.

Tentar e se ferir; pular e se esborrachar.
Viver sem o receio do sofrimento que advirá.
Ao fim, estaremos cheios de cicatrizes, de dores,
e extremamente cansados,
mas contentes e satisfeitos também.

Acordo, sinto a sua respiração ritmada.
Tudo está no seu devido lugar. 


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