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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Vestígios do Entardecer

Ó tarde ensolarada,
misto de vivacidade e langor,
és uma dádiva de luz e amizade;
trazes em teu bojo o cheiro do café,
o gosto refrescante do sorvete,
o alento de conhecidas palavras.
Debaixo de um sol de prata,
logo o cheiro de ruas molhadas,
a sensação de um alívio momentâneo.
Na conversa descompromissada,
cotidiano, poesia, sabores, memórias...
Mosaico de uma vida, de uma tarde, de um eterno instante.


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