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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Vórtice

Tudo gira muito rápido:
pensamentos, palavras, sinais.
Há ali um tumulto evidente de emoções,
ideias, lembranças e desejos.
Fascinado, eu me deixo arrastar,
enfrento sem medo todas as intempéries.
É claro que, no processo, eu me perco,
mas logo me transformo também em vento. 


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