Pular para o conteúdo principal

Postagem em destaque

Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

"O nada que é tudo"

(Poema de Samuel Rocha)

Minha sanidade depende do quão longe permaneço da Verdade.
Do quanto de hipóteses ainda tenho para falsear...
A certeza me parece sempre absurda.
Entre um martini e outro, estou sóbrio enquanto houver dúvida.

A modéstia não cabe na filosofia. Seria continuar padecendo da desilusão platônica.
A razão não cabe na poesia. Seria insistir no fracasso parnasiano.

No pântano, nadar é difícil, mas não se afoga com qualquer onda de melancolia.
Sentidos, sentimos, sem ter tido
sentido nenhum...
Nada que meu tudo consome.


Comentários

Compartilhe:

Sugestões para você

Carregando…