Pular para o conteúdo principal

Postagem em destaque

Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Brilho distante...

A estrada de tijolos amarelos aos meus pés se transformou em uma trilha tortuosa de vidro moído. Os castelos do passado já desmoronaram todos. Não há ponto de retorno, apenas a seta implacável e indiferente do porvir. Um olhar frio, sem esperanças, em um mundo totalmente outro. De certo, não foi o mundo que mudou, mas a visão daquele que o vê agora. Aquela antiga canção que me extasiava, que me fazia dançar, hoje já não faz mais o menor sentido. A comida já não tem o mesmo sabor. Não há mais nada a se dizer. A alegria imprudente da juventude é agora algo distante. Quase tudo perdeu o encanto que tinha outrora, quase tudo. 


Comentários

Compartilhe:

Sugestões para você

Carregando…