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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Um novo tempo...

Aquilo que éramos no verão passado já não nos pertence mais; o eu de agora não é o mesmo de outrora. Eis que nos deparamos com o paradoxal mistério de sermos aquela velha pessoa de sempre, sendo que, na realidade, tal pessoa já não existe mais. Bem, aconteceu o que acontece com todo mundo, a vida; traumas, sonhos desfeitos, separações e reencontros, idas e vindas, muitas decepções. Não é fácil acostumar-se, sentimos que há algo estranho no ar, alguma coisa fora do lugar, nada parece normal, até que, com o tempo, temos que aceitar que tudo isso acaba produzindo em nós uma nova normalidade, um novo jeito de ser no mundo. Tudo muda, nós mudamos também. A vida toma novos contornos, passamos a ver, sentir e pensar de um modo diferente, e isso necessariamente não é ruim, pois o que importa é manter um caminhar firme e decidido, continuar tentando viver da melhor maneira que pudermos; há sempre algo a ser descoberto, novos amigos a serem feitos, uma vida de possibilidades que se renova a cada passo a nos surpreender constantemente.


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